Mediunidade mental

Postado em 03/07/2015 | 0 comentarios | 459 visualizações

Allan Kardec publicou na Revista Espírita, de Março de 1866, um estudo sobre Mediunidade Mental, modalidade não muito conhecida, muito pouco comentada; no entanto, mais difundida do que se pensa, sobre a qual obteve novas informações espirituais para responder a um consulente.

Um correspondente da Argélia escreveu-lhe, solicitando o seu parecer sobre o seguinte facto:

(…) Fico alguns instantes á espera, como depois de uma evocação. Então sinto a presença do espírito por uma impressão física e logo surge em meu pensamento uma imagem que me faz reconhecê-lo. Estabelece-se a conversa mental, comona comunicação intuitiva, e esse género de palestra tem algo de adoravelmente íntimo.

Muitas vezes meu irmão e minha irmã encarnados me visitam, às vezes acompanhados por meu pai e minha mãe, do mundo dos espíritos. (…)

Há poucos dias tive a sua visita, caro mestre, e pela suavidade do fluido que me penetrava, julgava fosse um dos nossos bons protectores celestes. Imagine a minha alegria ao reconhecer em meu pensamento, ou antes, no cérebro, o timbre próprio da sua voz. (…)

E a carta termina com o pedido de mais informações.

Valendo-se das orientações espirituais recebidas na Sociedade de Estudos Espíritas de Paris, e de sua própria experiência o Codificador respondeu:

“Esta mediunidade, à qual damos o nome de mediunidade mental, certo não é adequada para convencer os incrédulos, porque nada tem de ostensivo, nem desses factos que ferem os sentidos. É toda para a satisfação íntima de quem a possui. Mas também é preciso reconhecer que se presta muito à ilusão e que é o caso de desconfiar das aparências.

Quanto à existência da faculdade, não se poderia põ-la em dúvida. Pensamos mesmo que deve ser a mais frequente, porque é considerável o número das pessoas que, em vigília , sofrem a influência dos Espíritos, e recebem a inspiração de um pensamento, que sentem não ser seu. A impressão agradável ou penosa que por vezes se sente à vista de alguem que se encontra pela primeira vez; o pressentimento da aproximação de uma pessoa; a penetração e a transmissão do pensamento são outros tantos efeitos devidos á mesma causa e que constituem uma espécie de mediunidade, que pode dizer-se universal, pois cada um lhe possui, ao menos, os rudimentos. Mas para experimentar seus efeitos marcantes é necessária uma aptidão especial, ou melhor, um grau de sensibilidade mais ou menos desenvolvido, conforme os indivíduos.” (…)

Nos dias de hoje, a mediunidade mental volta à baila, denominada de channeling entre os norte-americanos. No channeling ou canalização, a pessoa encontra-se em estado de vigília, mas de um modo que não consegue definir; vê mentalmente, dialoga com os espíritos, recebe mensagens e orientações.

Como previra Kardec, a mediunidade mental seria mais desenvolvida no futuro, quando o desprendimento fosse maior, mais fácil, pelo hábito do recolhimento. Quer dizer, quando os seres humanos fossem mais avançados, moralmente, e, por isso, tivessem maior facilidade de comunicação.

O Codificador recebeu outras instruções sobre a mediunidade mental, que tamém foram publicadas na Revista Espírita. Em uma delas, o espírito São Luís ressaltou que a mediunidade mental:

“é o primeiro degrau da mediunidade vidente e falante.

(…) enquanto que o médium mental pode, se for bem formado, dirigir perguntas e receber respostas, sem ser por intermédio da pena ou do lápis, mais facilmente que o médium intuitivo. Porque aqui o espírito do médium, estando mais desprendido, é um intérprete mais fiel. Mas, para isto, é necessário um ardente desejo de ser útil, trabalhar em vista do bem com um sentimento puro, isento de todo pensamento de amor-próprio e de interesse. De todas as faculdades mediúnicas é a mais sutil e a mais delicada: o menor sopro impuro basta para a manchar.” (…)

Como se verifica, o contato com o mundo espiritual é uma constante e aprimora-se lenta e gradualmente. A mediunidade mental é um passo além da intuição e constitui-se no primeiro degrau da mediunidade vidente e falante. Como nas demais formas de faculdade mediúnica, compete ao médium mental distinguir as boas das más inspirações e estar atento para a fragilidade desse tipo de comunicação, conforme esclarece São Luís.

Dra. Marlene Nobre

Nenhum comentário, seja o primeiro !

Deixe seu comentário

Comentário*
Ainda não temos nada digitado..