O Bem e o Mal na Visão Espírita

Postado em 16/11/2016 | 0 comentarios | 260 visualizações

Qual é a diferença entre o bem e o mal?
O que é o Bem?
É aquilo que enseja as condições ideais ao equilíbrio, à manutenção, ao aprimoramento, ao progresso de uma pessoa ou de uma coletividade.  É o conjunto de princípios fundamentais propícios ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento moral, quer dos indivíduos, quer da comunidade.  É o conjunto de fatores adequados a colocar e manter cada indivíduo no ápice de sua realização pessoal.  Aquilo que traz alívio, vantagens, bem-estar, cuja posse ou processo (física ou espiritual) julga a coletividade ser conveniente à manutenção e ao progresso do homem.  (Definição dada pelo Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa)O que é o Mal?
O que é prejudicial ou fere; o que concorre para o dano ou a ruína de alguém ou de algo; o que é nocivo para a felicidade ou o bem-estar físico ou moral.  Atitude má, consequência, efeito nocivo, desastroso.  O que acarreta destruição ou dano; estrago, prejuízo, calamidade, desgraça, infortúnio, doença, enfermidade, pesar, aflição, mágoa, sofrimento, defeito, imperfeição.  (Definição dada pelo Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa)

Origem do Bem e do Mal

A moral é a regra de bem proceder, isto é, distinguir o bem do mal.  Funda-se na observância da Lei de Deus.  O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a Lei de Deus.  (O Livro dos Espíritos, questão:  629)
Sendo Deus o princípio de todas as coisas e sendo todo sabedoria, todo bondade, todo justiça, tudo o que dele procede há de participar dos seus atributos, porquanto o que é infinitamente sábio, justo e bom nada pode produzir que seja ininteligente, mau e injusto. O mal que observamos não pode ter nele a sua origem.   (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  01)
O Espírito é criado simples e ignorante, nem boa nem má, mas suscetível, em virtude do seu livre arbítrio, de escolher entre o caminho do bem e do mal.  Podendo observar ou infringir as leis de Deus, conforme seja a encarnação de um Espírito adiantado ou atrasado.  (O que é o Espiritismo, item:  130)
Deus em sua justiça e sabedoria, deixa que o homem escolha o caminho que deseja seguir, porém, caso faça escolhas equivocadas, mais longa e penosa será a sua peregrinação.  (O Livro dos Espíritos, questão:  634)
A origem do mal sobre a Terra resulta da imperfeição dos Espíritos que aí estão encarnados.  A predominância do mal decorre de que, sendo a Terra um mundo inferior, a maioria dos Espíritos que a habitam são, eles mesmos, inferiores, ou progrediram pouco.  (O que é o Espiritismo, item:  131)
Entretanto, o mal existe e tem uma causa.
Os males de toda espécie, físicos ou morais, que afligem a Humanidade, formam duas categorias que importa distinguir: a dos males que o homem pode evitar e a dos que lhe independem da vontade. Entre os primeiros, cumpre se incluam os flagelos naturais.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  03)
O homem recebeu em partilha uma inteligência com cujo auxílio lhe é possível conjurar, ou, pelo menos, atenuar os efeitos de todos os flagelos naturais. Quanto mais saber ele adquire e mais se adianta em civilização, tanto menos desastrosos se tornam os flagelos. Com uma organização sábia e previdente, chegará mesmo a lhes neutralizar as consequências, quando não possam ser inteiramente evitados. Assim, com referência, até, aos flagelos que têm certa utilidade para a ordem geral da Natureza e para o futuro, mas que, no presente, causam danos, facultou Deus ao homem os meios de lhes paralisar os efeitos.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  04)
Tendo o homem que progredir, os males a que se acha exposto são um estimulante para o exercício da sua inteligência, de todas as suas faculdades físicas e morais, incitando-o a procurar os meios de evitá-los. Se ele nada houvesse de temer, nenhuma necessidade o induziria a procurar o melhor; o espírito se lhe entorpeceria na inatividade; nada inventaria, nem descobriria. A dor é o aguilhão que o impele para a frente, na senda do progresso.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  05)
Porém, os males mais numerosos são os que o homem cria pelos seus vícios, os que provêm do seu orgulho, do seu egoísmo, da sua ambição, do seu desejo, de seus excessos em tudo. Aí a causa das guerras e das calamidades que estas acarretam, das dissenções, das injustiças, da opressão do fraco pelo forte, da maior parte, afinal, das enfermidades.
Deus promulgou leis plenas de sabedoria, tendo por único objetivo o bem. Em si mesmo encontra o homem tudo o que lhe é necessário para cumpri-las. A consciência lhe traça a rota, a lei divina lhe está gravada no coração e, ao demais, Deus lha lembra constantemente por intermédio de seus messias e profetas, de todos os Espíritos encarnados que trazem a missão de o esclarecer, moralizar e melhorar e, nestes últimos tempos, pela multidão dos Espíritos desencarnados que se manifestam em toda parte.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  06)
Pode dizer-se que o mal é a ausência do bem.  Onde não existe o bem, forçosamente existe o mal. Não praticar o mal, já é um princípio do bem.  Deus somente quer o bem; só do homem procede o mal. Se na criação houvesse um ser preposto ao mal, ninguém o poderia evitar; mas, tendo o homem a causa do mal em SI MESMO, tendo simultaneamente o livre-arbítrio e por guia as leis divinas, evitá-lo-á sempre que o queira.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  08)
Decorrendo, o mal, das imperfeições do homem e tendo sido este criado por Deus, dir-se-á, Deus não deixa de ter criado, se não o mal, pelo menos, a causa do mal; se houvesse criado perfeito o homem, o mal não existiria.
Se fora criado perfeito, o homem fatalmente penderia para o bem.  Ora, em virtude do seu livre-arbítrio, ele não pende fatalmente nem para o bem, nem para o mal.  Quis Deus que ele ficasse sujeito à lei do progresso e que o progresso resulte do seu trabalho, a fim de que lhe pertença o fruto deste, da mesma maneira que lhe cabe a responsabilidade do mal que por sua vontade pratique.  A questão, pois, consiste em saber-se qual é, no homem, a origem da sua propensão para o mal.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  09)
O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal, o exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais. É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final. Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser. Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal é, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
Todas as paixões têm, portanto, uma utilidade providencial, visto que, a não ser assim, Deus teria feito coisas inúteis e, até, nocivas. No abuso é que reside o mal e o homem abusa em virtude do seu livre-arbítrio. Mais tarde, esclarecido pelo seu próprio interesse, livremente escolhe entre o bem e o mal.  (A Gênese, Capítulo:  03 – O Bem e o Mal, item:  10)

Conhecimento de Si Mesmo

Procura interrogar a sua consciência sobre os seus próprios atos, perguntando a si mesmo se não violou determinada Lei;
Se não fez o mal e se fez todo bem que podia fazer ao seu semelhante;
Se foi omisso ou negligente em uma determinada ocasião de ser útil;
Se ninguém tem o que reclamar dele, da sua conduta, do seu caráter e da maneira como trata o seu semelhante, independente da condição social;
Se fez aos outros tudo o que gostaria que se fizesse com ele próprio.

Referências Bibliográficas

Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa – Versão 3.0, Editora Objetiva Ltda., Junho/2009.
KARDEC, Allan — O Livro dos Espíritos — edição nº 86 — Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) Terceira Parte – Capítulo:  01 Da Lei Divina ou Natural – Questões:  629 até 646 – Rio de Janeiro/2005.
KARDEC, Allan — A Gênese:  Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo — edição nº 39 — Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) — Capítulo:  03 O Bem e o Mal – Origem do Bem e do Mal — Questões:  01 até 10 — Rio de Janeiro/2000.
KARDEC, Allan — O que é o Espiritismo — edição nº 75 — Editora IDE (Instituto de Difusão Espírita) — Capítulo:  03 Solução de Alguns Problemas pela Doutrina Espírita — Questões:  129 até 133 — São Paulo/2009.

Fonte:artigosespiritas.wordpress.com

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