A comunicação entre os planos físico e espiritual

Postado em 03/07/2015 | 0 comentarios | 575 visualizações

Geralmente, a primeira questão que surge em nossa mente, quando se fala em comunicação mediúnica, sobretudo em se tratando da psicofonia, é como ocorre ou se há de fato a âincorporaçãoâ do Espírito pelo médium. Primeiramente, é importante deixar claro que a literatura Espírita classifica como inadequado o termo incorporação, utilizando os termos passividade ou, mais apropriadamente, oportunidade, para designar a comunicação mediúnica, seja por psicografia ou psicofonia. Novamente recorremos à literatura espírita para tentar esclarecer como é o elo de ligação que se estabelece entre o médium e o comunicante, ou seja, entre os planos físico e espiritual, e porque a designação de incorporação é inadequada para descrever a comunicação mediúnica. Segundo Hermínio Miranda, em Diversidade dos Carismas â Volume II, o processo da comunicação pode ser resumido da seguinte forma: o Espírito comunicante pensa e este pensamento é captado pelo médium através do que o autor designa por canais condutores, os quais localizam-se no seu perispírito. A seguir, o pensamento é dirigido através destes canais, até aos chamados canais expressores, localizados no cérebro físico do médium, os quais são encarregados de acionar os mecanismos orgânicos necessários para se efetivar a comunicação. Visando apresentar a comunicação estabelecida entre o Espírito comunicante e o médium, de forma mais didática, lançaremos mão de uma representação esquemática do mecanismo da comunicação mediúnica Descrição artística que visa facilitar a compreensão dos elementos envolvidos na comunicação. Vemos primeiramente que a comunicação é estabelecida de perispírito6 a perispírito e que é o perispírito do médium quem atua no seu corpo físico. (b) Descrição esquemática7, na qual podemos observar que o pensamento originado no Espírito do comunicante é transmitido ao seu perispírito. Este pensamento é então transmitido ao perispírito do médium, e é encaminhado ao Espírito do médium, onde é, por assim dizer, processado. O pensamento então segue do Espírito do médium ao seu perispírito, que por sua vez atua nos órgãos do corpo físico, estabelecendo efetivamente a comunicação. Nesta representação, a comunicação se estabelece da seguinte maneira: o pensamento que se origina no Espírito do comunicante é enviado ao seu perispírito, a partir do qual é transmitido por meio de vibrações. Em condições adequadas, como em uma reunião mediúnica por exemplo, este pensamento pode ser captado pelo perispírito do médium, o qual é responsável pela transmissão de tais impressões e idéias e sentimentos ao seu Espírito. Este, por sua vez, assimila as informações de acordo com o cabedal de conhecimento adquirido em múltiplas existências e as filtra de acordo com a sua condição moral. Após esta avaliação por parte do Espírito do médium, a informação é novamente transmitida ao seu perispírito e redirecionada para o corpo físico, na forma de comandos motores, para expressar fisicamente o pensamento original, limitado no entanto, às condições morais, éticas, culturais e orgânicas do médium. Embora tenhamos dividido o processo de forma esquemática para maior clareza, a comunicação ocorre instantaneamente, sem que o médium tenha clara noção dos processos envolvidos. O mecanismo descrito acima é geral para a comunicação mediúnica e demonstra que há sempre a interferência do médium na comunicação, ainda que este não se lembre dos fatos ocorridos durante a manifestação mediúnica, neste caso, denominado médium inconsciente. Por esta razão, é que Kardec afirma ser inadequado o termo incorporação, pois o médium atua ativamente em todo o processo, sendo, portanto, responsável por suas ações. Ainda segundo Hermínio Miranda, existem duas situações básicas que podem ocorrer nas comunicações mediúnicas: na primeira, o Espírito comunicante induz o médium a se expressar, convertendo seus pensamentos em palavras; no segundo caso, o Espírito comunicante se apossa mais amplamente nos controles mentais do médium, podendo manifestar não somente suas idéias como também sua língua, seu tom de voz, seu sotaque, trejeitos e demais características pessoais. Pode parecer contraditório que, sendo o pensamento a real linguagem dos Espíritos, que estes utilizem características comuns à comunicação dos encarnados como o sotaque, trejeitos e expressões regionais. Esta contradição é apenas aparente. No primeiro caso, o Espírito comunicante transmite seus pensamentos puros, deixando ao encargo do médium convertê-lo em palavras. Já no segundo caso, é o comunicante quem se encarrega de converter seus pensamentos em palavras, utilizando-se do instrumental de expressão do médium. Mas, em ambos os casos, a fonte geradora do pensamento é a mente do manifestante. Dentre as possíveis finalidades para que a comunicação apresente as citadas características do comunicante têm-se: a necessidade de confirmar a identidade do Espírito, fazendo com que seus aspectos de expressão, principalmente de linguagem, sejam reconhecidos; a ligação ainda forte do Espírito comunicante com a matéria ou falta de conhecimento sobre o processo de comunicação através do pensamento, ressaltando seus caracteres presentes enquanto encarnado devido a um maior controle da aparelhagem física do médium; a viciação do médium com a forma de comunicação habitual dos Espíritos, criando nele, médium, reflexos condicionados que marquem a comunicação com um formato já abandonado pelo Espírito comunicante. à interessante ressaltar a atuação da equipe espiritual nas comunicações mediúnicas onde os companheiros do plano espiritual podem, por exemplo, estabelecer um elo de comunicação entre o Espírito comunicante e o médium e, desta forma, traduzir, quando necessário, as informações apresentadas numa língua desconhecida ao médium, para uma forma que ele compreenda, principalmente transformando a linguagem articulada em pensamentos puros. Estes companheiros de trabalho são também conhecidos como controles e sua atuação é bastante detalhada por Hermínio Miranda, em Diversidade dos Carismas, Volume II, principalmente no capítulo IV â Seminologia da Comunicação Mediúnica, item 12 â Guias e Controles.

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